
#2 - "ARTE É EXPRESSÃO" - FERNANDO DOMINGUES (FERNA ART)

IMAGEM: GABRIELA CAMOLESI
Dessa vez, a Low Life foi para o mundo das artes plásticas entrevistar o Fernando Domingues (@ferna.art). Estudante de arquitetura, começou a desenhar ainda criança e começou a vivenciar esse mundo com mais intensidade em 2018. Fomos até o seu ateliê em São Paulo para entender mais sobre a trajetória do artista que tem como proposta transformar objetos descartados em arte.
"Ao invés de só desenhar alguma coisa porque é bonito, tem um conceito por trás", ele começa explicando como ele dá vida ao que seria lixo. MDFs, madeiras, vidros, mármores, objetos que ficavam em caçambas de entulho, o artista consegue dar às peças uma dimensão emocional impressionante.
O que intriga nas peças com materiais reutilizados, são suas histórias passadas e futuras. "O que aquele material construiu e o que ele vai representar para as pessoas que o vão usar", como comentou o artista. O questionamento pode levar a vários lugares e o espectador é livre para chegar (ou não) onde quiser.
E liberdade é o termo chave desta entrevista. No processo de encontrar um estilo próprio, o artista se deparou com a complexidade humana de ser vários em um e um em vários. Ele teve a chance de se enxergar como
A diversidade dentro da liberdade é visível nas referências que o artista traz: Jean-Michel Basquiat, Keith Haring, Banksy, Tunga, Adriana Varejão são alguns dos muitos nomes citados durante o documentário. Com tantas referências irreverentes e inovadoras, Ferna não poderia ser diferente. Seu estilo tem um forte trabalho com cores e fundos, trazendo muitas vezes figuras não definidas que permitem o espectador imaginar e, mais importante, sentir o que é transmitido de uma forma pessoal e única.
portador de múltiplos pseudônimos na vivência da experimentação. "Eu posso fazer o que eu quiser, a gente não precisa ficar rotulando o que a gente vai fazer", conclui com muita tranquilidade.
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IMAGEM: GABRIELA CAMOLESI

"Eu consigo ver um quadro meu e saber o que eu estava sentindo na hora". Entendemos, assim, a essência das obras do entrevistado: a honestidade. Não se faz sentir sem que se sinta, e para se deixar sentir, é preciso ser verdadeiro, ser quem se é, e mais nada. Quando apreciamos as obras do artista, não existe uma resposta certa, mas uma resposta honesta, e a única forma de obtê-la, é se deixando sentir, seja lá o que for.
A capacidade de expressão de Ferna atingiu outro patamar com canetas Posca e sprays de tinta. Versáteis, rápidos, os materiais permitem a criatividade correr com a pressa do movimento que a mente permite. Nessa mesma mente, quando se mesclou as canetas com os vidros dados pelo avô e um recente contato com Mondrian, o artista fez nascer mais um plano de exploração, onde geométricos angulares foram se transfigurando em outras formas sem definição, sendo as primeiras peças a serem divulgadas nas redes sociais.
Assim como muitos artistas, ele conta que sempre teve essa vontade de estudar e vivenciar a arte, "eu só precisava dar oportunidade para desenvolver isso". Infelizmente, essa é uma realidade muito comum para os artistas brasileiros. Seja por falta de tempo, apoio, material, conhecimento, a arte ainda é muito negligenciada na cultura brasileira, mas alguns dos sonhos para o futuro do Ferna são criar um projeto social que incentive a arte e uma galeria de jovens artistas para complementar o papel coletivo da arte.
Quando não abrimos espaço para novos artistas, perdemos a chance de sentirmos mais do que achamos que somos capazes, "um quadro pode te causar raiva, espanto, felicidade, tranquilidade, tudo ao mesmo tempo". No final das contas, as pessoas esquecerão tudo, menos como você as fez sentir.
A Low Life espera que você se expresse com honestidade, assim como o Fernando, sem medo de ser diferente, de arriscar, de fugir à regra. Que esse documentário te inspire a sentir a vida do seu jeito como um todo. Be different. Be Low Life.
IMAGEM: GABRIELA CAMOLESI
TEXTO: LUISA ANDRADE

